O estúdio estava silencioso, iluminado apenas pelos refletores posicionados com cuidado. O ensaio já havia terminado, mas Clara ainda ajustava detalhes no set. Era fotógrafa, profissional, focada — pelo menos até sentir aquele olhar.
Lucas, o modelo do ensaio, encostava-se na parede, camisa aberta, ainda com a energia da sessão no corpo. Durante horas, haviam trabalhado juntos, trocando instruções, poses, olhares. Mas agora não havia câmera entre eles.
— Você sempre fica depois que todo mundo vai embora? — ele perguntou, a voz baixa.
Clara sorriu, sem virar.
— Só quando o trabalho pede mais atenção.
Ele se aproximou devagar, respeitando o espaço… até não respeitar mais. Parou atrás dela, perto o suficiente para que ela sentisse sua presença sem ser tocada.
— E agora? — ele murmurou. — Isso ainda é trabalho?
Clara se virou. O silêncio entre eles era denso, carregado. Não havia pressa, só tensão. Ele levantou a mão, tocando de leve o braço dela, como se pedisse permissão.
Ela não se afastou.
O beijo veio contido, profundo, como tudo naquele ensaio havia sido. Nada exagerado. Tudo sentido. As luzes, antes profissionais, agora pareciam cúmplices.
— Acho que essa cena não estava no roteiro — ela sussurrou.
— As melhores nunca estão — ele respondeu, encostando a testa na dela.
O ensaio tinha acabado.
Mas a conexão… não.
