O eco dos saltos de Júlia parecia mais alto do que o normal no estacionamento subterrâneo. Quinta-feira, quase 23h, e o prédio estava vazio como um labirinto abandonado. As luzes fluorescentes piscavam em alguns pontos, iluminando carros alinhados em fileiras frias.

Ela caminhava apressada, abraçando a bolsa contra o peito quando ouviu passos atrás de si — firmes, decididos, mas não ameaçadores. Reconheceu o ritmo antes de olhar.

Caio.
O homem responsável por estragar sua capacidade de concentração no escritório há meses.

Ele saiu das sombras de um dos pilares, ainda com o terno, mas sem gravata, a camisa desabotoada no topo. O cabelo estava bagunçado e o olhar… carregado.

— Você ia sair sem se despedir? — perguntou ele, aproximando-se devagar.

Júlia abriu a boca para responder, mas Caio já estava perto demais. O perfume dele, amadeirado e quente, se misturou ao ar frio do estacionamento. Ele apoiou a mão na porta do carro dela, não para impedi-la — mas para envolver o espaço ao redor, criando uma bolha onde só os dois existiam.

— Achei que seria mais fácil — disse ela, tentando parecer firme.

— Fácil pra quem? — Caio murmurou, inclinando o rosto até ficar a poucos centímetros do dela.

O silêncio pesou. O coração dela batia tão alto que poderia ser confundido com o som de algum motor distante.

Júlia respirou fundo, mas quando tentou abrir a porta do carro, Caio segurou de leve seu pulso.
Nada agressivo.
Só o suficiente para fazê-la parar.

— Você não precisa fugir — disse ele, olhando direto nos olhos dela.

Júlia hesitou… e aquilo bastou.

Caio puxou-a pela cintura, encostando-a delicadamente contra o carro. O beijo veio intenso, cheio de todos os olhares que trocaram por meses sem dizer nada. O metal frio atrás dela contrastava com o calor do corpo dele — e isso só aumentava a sensação elétrica que subia pela espinha dela.

As mãos dele subiram pela cintura até as costas, e Júlia agarrou a camisa dele, puxando-o mais para si.

Quando se afastaram, estavam ofegantes, como se tivessem corrido uma maratona.

— Isso é uma péssima ideia — ela disse, rindo sem fôlego.
— As melhores sempre são — Caio respondeu, com aquele sorriso que fazia tudo dentro dela tremer.

Ele tocou o rosto dela com delicadeza.
— A gente não termina essa conversa aqui.
— Eu sei — respondeu, mordendo o lábio.

 

Eles sabiam exatamente até onde aquilo iria chegar.