O elevador travou entre o 12º e o 13º andar com um solavanco seco.
Luzes acesas.
Silêncio.
E um espaço pequeno demais para duas pessoas que já se olhavam havia tempo demais.
— Sério? — ela soltou, cruzando os braços. — Isso só pode ser brincadeira.
Ele apertou o botão de emergência.
Nada.
Tentou de novo.
Nada.
— Ótimo — ela murmurou. — Presos.
Ele soltou um riso curto.
— Já passei por situações piores.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Isso foi uma tentativa de me tranquilizar?
— Ainda estou decidindo.
O silêncio voltou.
Mas diferente.
Mais quente.
Mais carregado.
Porque ela já tinha notado o jeito como ele a olhava desde o lobby.
E ele definitivamente tinha percebido.
— Você sempre encara assim? — ela perguntou, encostando no espelho lateral.
— Assim como?
— Como se estivesse pensando alguma coisa que não deveria.
Ele sustentou o olhar.
Sem pressa.
— E se eu estiver?
Ela sorriu de canto.
Perigosa.
— Aí depende se sua imaginação é interessante.
O ar pareceu mudar.
Menos oxigênio.
Mais tensão.
Ele deu um passo.
Não invasivo.
Só o suficiente.
— Quer mesmo saber?
Ela inclinou a cabeça.
— Acho que sim.
Mais silêncio.
O tipo de silêncio que fala.
O tipo que aproxima.
— Engraçado — ele disse, baixo. — Porque desde que você entrou, eu tenho tentado parecer muito mais controlado do que realmente estou.
Ela mordeu o canto do lábio, quase sem perceber.
— Controle é superestimado.
Ele riu.
Baixo.
Rouco.
— Isso parece perigoso.
— Talvez eu goste.
O elevador seguia imóvel.
Mas entre os dois, tudo se movia.
Devagar.
Quase elétrico.
Ele se aproximou mais um pouco.
Agora perto o bastante para que qualquer movimento mínimo parecesse intencional.
— Se a porta abrisse agora — ele perguntou — você sairia normalmente?
Ela sustentou o olhar por um segundo longo demais.
Depois respondeu:
— Depende.
— Do quê?
Ela se inclinou, perto do ouvido dele.
A voz baixa.
Quente.
— Do que vai acontecer antes.
E, pela primeira vez desde que o elevador parou…
ele desejou que demorasse mais.
