A última vez que estivemos naquela praia foi quando começamos a namorar. Dois anos haviam se passado desde então. Entre trabalho, compromissos, contas para pagar e agendas incompatíveis, a viagem sempre acabava ficando para depois.
Mas, finalmente, estávamos ali.
O cheiro do mar misturava-se à brisa suave do fim de tarde, enquanto a água fresca encontrava nossos pés. O sol já começava a desaparecer no horizonte quando chegamos, mas isso pouco importava. Depois de tantas tentativas frustradas, só queríamos sentir o oceano novamente.
As ondas nos chamavam.
Entramos devagar, primeiro até os tornozelos, depois os joelhos. Ríamos enquanto a água avançava e recuava, como se o mar estivesse nos recebendo de volta.
Quando percebemos, já estávamos envolvidos pelo balanço tranquilo das ondas. Nos abraçamos em silêncio, daquele jeito que só quem compartilha uma história consegue entender. Era um abraço carregado de saudade, cumplicidade e promessas cumpridas.
Os beijos vieram naturalmente.
À medida que a praia esvaziava e o céu ganhava tons mais escuros, o mundo parecia encolher até caber apenas nós dois. O som das ondas abafava qualquer pensamento distante, deixando espaço apenas para o momento presente.
O mar nos embalava suavemente. Cada toque, cada sorriso e cada olhar carregavam uma intimidade construída ao longo dos anos. Não havia pressa, expectativa ou destino final. Apenas a alegria de estar ali, juntos.
A noite caiu sem que percebêssemos.
Caminhamos de volta para a areia com os pés guiados pelas ondas e os corações aquecidos pela sensação rara de que, por algumas horas, o tempo havia parado. Entre o brilho da lua refletido na água e o som constante do mar, encontramos algo que a rotina muitas vezes tenta esconder: a beleza de simplesmente estar presente com quem amamos.
