Nos encontramos na entrada do cinema com o nervosismo típico de um primeiro encontro.

A vantagem era que, se a conversa não fluísse, pelo menos teríamos um filme para ocupar as próximas duas horas.

Enquanto esperávamos a sessão começar, trocamos poucas palavras. Talvez ainda não nos conhecêssemos o suficiente. Talvez o nervosismo estivesse falando mais alto. Ou talvez nenhum dos dois tivesse grandes expectativas para aquela noite.

Quando as luzes se apagaram, senti um certo alívio.

Pelas próximas horas, não precisaríamos nos preocupar com silêncios constrangedores ou assuntos forçados. E, quando o filme terminasse, teríamos algo para comentar.

Ou simplesmente seguiríamos caminhos diferentes.

Mas o filme não era tão bom quanto parecia.

De vez em quando, eu a via olhar ao redor da sala, claramente mais interessada em qualquer outra coisa do que na história que passava na tela.

Até que nossos olhares se encontraram.

Ela sorriu.

Eu sorri de volta.

Foi um daqueles momentos silenciosos em que duas pessoas percebem que estão pensando exatamente a mesma coisa.

Em determinado momento, aproveitei uma cena particularmente arrastada para sair da sala e ir ao banheiro.

Quando voltei, encontrei-a do lado de fora.

Ela estava encostada na parede, esperando.

— Fugindo do filme também? — perguntou.

— Acho que ele desistiu da gente primeiro.

Ela riu.

E, sem dizer mais nada, me seguiu pelo corredor.

Paramos em uma área mais reservada do cinema, onde o movimento era quase inexistente.

Por alguns segundos, apenas nos encaramos.

Pela primeira vez naquela noite, sem a distração da tela, das pessoas ou do barulho ao redor.

Só nós dois.

Ela deu um passo à frente.

Depois outro.

E então ficou perto o suficiente para que eu sentisse seu perfume.

Seu olhar desceu por um instante até minha boca.

E aquilo foi resposta suficiente.

O primeiro beijo foi tímido.

O segundo não.

Em poucos segundos, toda a formalidade do encontro desapareceu.

As mãos encontraram espaço onde antes havia distância.

Os sorrisos deram lugar à tensão acumulada.

E a química que parecia escondida desde o início finalmente encontrou uma forma de aparecer.

Quando nos afastamos para respirar, ela apoiou a testa na minha e soltou uma risada baixa.

— Acho que encontramos algo mais interessante para fazer.

— Definitivamente melhor que o filme.

Ela concordou.

Ficamos ali por mais alguns minutos, aproveitando aquele momento improvável que nenhum dos dois havia planejado.

Depois voltamos para a sala.

Mas já não prestamos atenção em nada do que acontecia na tela.

A verdade é que o filme tinha deixado de ser importante fazia tempo.

E, quando a sessão terminou, havia apenas uma certeza entre nós:

pela primeira vez na vida, eu tinha adorado perder um filme.