Ela não costumava fazer esse tipo de coisa.
Mas naquela noite, algo dentro dela pediu mudança.
Reservou o quarto sob um nome falso. Chegou antes. Luz baixa, cortinas fechadas, um perfume leve no ar. Tudo pensado — cada detalhe.
Ele chegou dez minutos depois.
Parou na porta, confuso… até que ela abriu.
E ali, naquele instante, ele percebeu: aquela não era a mesma mulher de sempre.
— Você tá… diferente.
Ela sorriu, mas não explicou.
— Entra.
A porta se fechou devagar.
O silêncio entre os dois não era desconfortável — era carregado. Expectativa pura.
Ela caminhou pelo quarto como se estivesse em controle de tudo. Como se soubesse exatamente o que estava fazendo… mesmo sendo a primeira vez que se permitia sentir assim.
— Eu queria sair da rotina — disse, virando-se pra ele.
Ele se aproximou.
Devagar.
— E conseguiu.
O olhar dela sustentou o dele. Sem fugir. Sem hesitar.
O espaço entre os dois desapareceu aos poucos, como se fosse inevitável.
— Você sempre foi assim? — ele perguntou, a voz mais baixa.
Ela inclinou a cabeça, provocando.
— Ou você que nunca percebeu?
O primeiro toque não foi impulsivo.
Foi intencional.
Como tudo naquela noite.
Ela não queria pressa.
Queria sentir.
Cada reação. Cada mudança de respiração. Cada detalhe que antes passava despercebido.
E ali, naquele quarto que não era dela…
Ela finalmente se sentiu completamente no controle de si mesma.
