A chuva começou sem aviso.
Primeiro leve, depois intensa, até que o som dos trovões tomou o apartamento inteiro. As luzes piscaram, e a cidade lá fora desapareceu atrás da cortina de água.

Luna fechou a janela e riu.
— Acho que não vamos sair hoje.

Pedro acendeu algumas velas e espalhou pela sala. A luz quente mudou tudo: o ambiente, o clima, o jeito como ela o olhava.

— Talvez seja melhor assim — ele disse, servindo duas taças de vinho.

Sentaram-se no sofá, próximos demais para ser casual. A chuva batia forte, mas ali dentro o tempo parecia desacelerar. Luna apoiou os pés no colo dele, e Pedro começou a massageá-los devagar, sem pressa, como se cada toque fosse uma pergunta silenciosa.

— Você sempre fica assim quando chove? — ela provocou.
— Só quando tenho companhia boa — respondeu, subindo o toque lentamente.

As velas espalhavam sombras pela parede. O vinho esquentava o corpo. A conversa foi ficando mais baixa, mais íntima. Quando Pedro puxou Luna para mais perto, o beijo veio lento, profundo, cheio de intenção.

Não havia urgência.
Havia entrega.

 

Entre um trovão e outro, o mundo lá fora deixou de existir. A tempestade virou desculpa. O apartamento, refúgio. E aquela noite… uma lembrança que nenhum deles esqueceria.