Carolina chegou confiante para a entrevista. O cargo era importante, a empresa renomada. O que ela não esperava era que o entrevistador fosse alguém como ele.
Eduardo tinha voz grave, postura firme e um olhar que parecia ler além das respostas ensaiadas.
— Você lida bem com pressão? — ele perguntou, apoiando as mãos sobre a mesa.
— Depende do tipo de pressão — ela respondeu, sem desviar o olhar.
O silêncio que se seguiu foi carregado.
A entrevista terminou, mas nenhum dos dois se levantou imediatamente. Eduardo fechou o notebook devagar.
— Eu ainda tenho algumas perguntas… menos formais.
Carolina sorriu, inclinando-se na cadeira.
— Estou ouvindo.
Ele levantou-se, caminhando até ela. Parou perto demais. O ar parecia denso.
— Você sempre responde assim… ou só quando está interessada?
Ela levantou-se também, diminuindo o espaço até quase não existir mais.
— Só quando vale a pena.
A entrevista tinha acabado.
Mas a noite estava só começando.
