Depois de uma semana exaustiva, a última coisa que eu queria era um jantar da empresa.

A única exceção era Sara.

Nós duas tínhamos passado os últimos dias fazendo hora extra e, entre uma entrega e outra, começamos a nos aproximar. Conversas viraram risadas, olhares demorados e pequenos contatos que pareciam durar mais do que deveriam.

Naquela noite, sentamos uma de frente para a outra e praticamente esquecemos que havia outras pessoas na mesa.

Sara sorria enquanto conversava comigo e, de vez em quando, sustentava meu olhar por tempo suficiente para fazer minha imaginação correr solta.

Durante o brinde, nossas taças se encontraram.

Nossos olhos também.

Mordi discretamente o lábio.

Ela sorriu.

Talvez aquela tensão não estivesse apenas na minha cabeça.

Quando o jantar terminou, um colega se ofereceu para nos levar para casa. Ao chegarmos à minha, Sara saiu do carro comigo.

— Não vai entrar sem mim, né? Esqueceu que deixei meu carro aqui?

Ela piscou.

Eu sabia perfeitamente que o carro dela não estava ali.

— Claro... como eu poderia esquecer?

Assim que ficamos sozinhas, Sara se aproximou.

— Quero descobrir se você está tão excitada quanto eu.

Não respondi.

Apenas a puxei para um beijo.

Toda a tensão acumulada durante aqueles dias pareceu explodir de uma vez. Entramos no elevador ainda grudadas uma na outra, entre beijos, mãos curiosas e aquela ansiedade deliciosa de finalmente parar de fingir.

Quando chegamos ao apartamento, Sara me conduziu até a sala. Entre provocações e descobertas, aquela mesa de jantar ganhou uma memória que eu certamente não esqueceria tão cedo.

Depois de algum tempo, ainda tentando recuperar o fôlego, ri.

— Eu definitivamente não esperava que o jantar terminasse assim.

Sara se aproximou novamente.

— Terminasse?

Aquele sorriso apareceu de novo.

— A noite ainda está começando.

Na manhã seguinte, acordei sozinha.

Por sorte, eu a encontraria no trabalho em menos de uma hora.

Quando cheguei ao escritório, Sara estava conversando tranquilamente com um colega, como se nada tivesse acontecido.

Passei por ela tentando fazer o mesmo.

Foi quando seus dedos roçaram discretamente nos meus.

Olhei para Sara.

Ela olhou para mim e sorriu.

Não precisávamos dizer nada.

 

Naquele instante, comecei a contar os segundos até ficarmos sozinhas outra vez.